Conferências de Arouca


Cultura e Democracia: a memória, o património e a construção de identidades"Cultura e democracia: a memória, o património e a construção de identidades"

"Conferência de Arouca" que assinala a comemoração de dois anos de vida do Círculo Cultura e Democracia. Convidamos o Prof. Doutor José Eduardo Franco, que aceitou vir falar-nos do tema, no dia 3 de fevereiro de 2018. Abaixo apresentam-se os tópicos que propõe para a sua intervenção e um resumo biográfico.


Tópicos da Conferência

A fundação de uma democracia moderna em Portugal na sequência da Revolução de Abril de 1974, deixando para trás o velho império colonial e as guerras da sua manutenção, fez proliferar um conjunto de obras destinadas a repensar a identidade portuguesa. Essa que classificamos como sendo a nova literatura da identidade portuguesa foi inaugurada com duas obras emblemáticas: O Labirinto da Saudade publicada por Eduardo Lourenço, em 1978, e Repensar Portugal, editado por Manuel Antunes no ano seguinte.

Desde então até aos nossos dias, tem-se assistido a uma verdadeira profusão de livros e artigos dedicados a pensar e a repensar o modo como nos entendemos como povo, como nação, como país e como Estado que se tornou membro da União Europeia, assinados por nomes grandes da nossa intelectualidade, entre os quais Fernandes Fafe, Boaventura Sousa Santos, José Gil, Miguel Real e Manuel Clemente.

A nossa conferência pretende dar conta e refletir sobre esse esforço intenso e quase permanente que se tem observado ao longo da história da cultura portuguesa no sentido de procurar definir, de construir e de reconstruir a nossa identidade coletiva, em especial nos momentos de euforia ou de crise grave, na sequência da ascensão e queda de regimes, ou ainda no contexto de fortes ameaças externas. Proporemos uma grelha de leitura daquilo que denomino o complexo mítico da identidade portuguesa que os discursos nacionalizantes configuraram. E ainda refletiremos, nesse contexto, sobre a relação modeladora da Religião com a estruturação do Estado à luz da metáfora conjugal para, depois de observarmos esta relação na longa duração histórica, compreendermos o quadro destas relações em tempo de vivência democrática no século XXI.

JOSÉ EDUARDO FRANCO   Nota Biográfica
Professor Catedrático da Universidade Aberta e titular da CIDH - Cátedra FCT/Infante Dom Henrique para os Estudos Insulares Atlânticos e a Globalização (Universidade Aberta/CLEPUL - Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa). Membro da Academia Portuguesa da História.

Dirigiu, entre muitos outros, um dos projetos editoriais de maior relevância cultural das últimas décadas com Pedro Calafate: a Obra Completa do Padre António Vieira em 30 Vols. Entre as suas obras de referência destacam-se as seguintes: O Mito de Portugal, Lisboa (FMMVAD/Roma Editora, 2000); O Mito dos Jesuítas em Portugal e no Brasil, Séculos XVI-XX, em 2 Vols. (Lisboa, Gradiva, 2006-2007); Dança dos Demónios: Intolerância em Portugal, coordenado com António Marujo (Lisboa, Círculo de Leitores/Temas e Debates, 2009); Fátima, Lugar Sagrado Global, em coautoria com Bruno C. Reis, (Lisboa, Circulo de Leitores, 2017).

Foi-lhe atribuída, em 2015, a Medalha de Mérito Cultural do Estado Português, o mais importante galardão atribuído pelo Governo Português, como reconhecimento dos serviços prestados à Cultura e à Ciência.